Há crianças que pedem a mesma história todas as noites. O adulto já sabe o que vem na página seguinte, conhece a voz de cada personagem e talvez esteja cansado daquele livro. A criança, não. Ela espera pelo mesmo trecho, ri no mesmo momento e, às vezes, interrompe tudo para perguntar uma coisa que não estava na história.
É possível que o adulto tenha a impressão de que a leitura foi interrompida. Talvez seja justamente o contrário.
Quando uma criança pergunta por que o lobo está com medo ou se o menino da história também sente saudade da mãe, o livro deixa de ser apenas um livro. Vira conversa. E a conversa, para uma criança pequena, é uma das maneiras de se descobrir o mundo.
Essa experiência da leitura compartilhada está longe de fazer parte da rotina de todas as famílias brasileiras.
Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado no Brasil em parceria com uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostra que 53% das famílias entrevistadas – no Ceará, Pará e em São Paulo – nunca leem livros para as crianças, ou fazem isso menos de uma vez por semana. Apenas 14% disseram ler de três a sete dias por semana.
A pesquisa ouviu 2.598 crianças de 4 e 5 anos em 210 escolas de 89 municípios.
O dado chama atenção não apenas pela quantidade de livros lidos, mas pelo que a leitura compartilhada representa. Ler para uma criança é apresentar palavras, histórias e personagens, mas também oferecer um tempo em que duas pessoas dividem a mesma atenção.
A pesquisa encontrou situação semelhante na contação de histórias. Para 51% das famílias, histórias que não estão nos livros nunca são contadas ou aparecem menos de uma vez por semana. Apenas 17% fazem isso de três a sete dias por semana.
Vamos fazer a nossa parte? Ler para uma criança, ou mesmo inventar e contar uma história, é diversão, emoção e boas memórias garantidas – para quem ouve e para quem lê!

Estimular o hábito da leitura, contar histórias como forma de encantar, alegrar e amenizar o sofrimento fazem parte da missão da Associação Griots – Os Contadores de Histórias! Faça parte dessa corrente você também: ler em voz alta é pura diversão!


