Quanto vale uma hora do seu tempo? A resposta depende muito de para quem você decide oferecê-la.
Pois é, 28 de agosto é o Dia Nacional do Voluntariado, uma data que existe desde 1985 para lembrar daqueles que entregam tempo, conhecimento, atenção, ou carinho, por pura generosidade.
Se a gente olhar para os amarelinhos da Associação Griots – Os Contadores de Histórias, dá para ver isso bem de perto. Desde 2003, eles entram voluntariamente nos corredores dos hospitais levando muito mais do que livros e histórias: levam conversa, imaginação, sorrisos, acolhimento e, acima de tudo, escuta para quem está passando por um momento delicado.
Todo mundo pode dar sua contribuição. Veja que causa fala mais alto ao seu coração e que combina com seu estilo de vida no momento... Pode começar na associação do bairro, na escola das crianças, em uma campanha de arrecadação de agasalhos ou simplesmente sendo presença para alguém.
Aí acontece uma coisa maravilhosa: quem ajuda também acaba sendo transformado. A gente esbarra em outras realidades, conhece gente incrível e percebe que uma participação pequenininha pode encher o nosso coração de gratidão.
É por isso que o 28 de agosto não podia ser só mais uma data esquecida na folhinha do calendário. É um convite para a gente olhar para o lado e se perguntar: “O que é que eu posso fazer?”
Às vezes, a resposta é só uma hora na semana. Às vezes, é uma tarde. Ou pode ser simplesmente dar o primeiro passo. Porque, quer saber? O gesto até pode parecer pequeno, mas o abraço que ele dá no mundo é sempre muito maior do que o relógio consegue marcar.
E é isso que segue nos motivando, dia a dia, história a história, desde 2003!
Quando entramos em um hospital, sabemos que cada criança que encontramos carrega uma história. Algumas chegam acompanhadas de um sorriso tímido, outras de medo, ansiedade ou incerteza. Nesses momentos, percebemos que cuidar de uma criança vai muito além de tratar uma doença.
É preciso ouvir, orientar, acolher e acompanhar cada etapa do crescimento. É esse trabalho que os pediatras realizam todos os dias. Por isso, em 27 de julho, quando celebramos o Dia do Pediatra, nós, da Associação Griots – Os Contadores de Histórias, prestamos nossa homenagem a esses profissionais que fazem da infância a sua missão.
Nos hospitais onde atuamos, vemos de perto como o cuidado acontece de muitas maneiras. Enquanto médicos, enfermeiros e equipes de saúde se dedicam aos tratamentos, nós chegamos com livros, músicas e histórias para tornar a experiência da hospitalização um pouco mais leve.
Às vezes, uma história contada no momento certo é capaz de arrancar um sorriso, distrair durante uma espera ou simplesmente lembrar a uma criança que ela continua sendo criança, mesmo dentro de um hospital.
Hoje, levamos nossas atividades a instituições como a Unidade Pediátrica Mário Gattinho, o Hospital de Clínicas da Unicamp, o Centro Infantil Boldrini, o Centro de Reabilitação Lucy Montoro e o Hospital Estadual de Sumaré. Em cada lugar, encontramos profissionais, famílias e crianças que nos mostram diariamente a importância de um cuidado feito com conhecimento e sensibilidade.
Celebrar o Dia do Pediatra também é reconhecer essa grande rede formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas, voluntários e familiares. Cada pessoa tem um papel fundamental para tornar o ambiente hospitalar mais humano e acolhedor.
Uma história não substitui um tratamento, mas pode transformar uma espera difícil em um momento de esperança. É essa a contribuição que buscamos levar às crianças e suas famílias: um pouco de imaginação, afeto e acolhimento em meio à rotina hospitalar.
O futuro da Pediatria em debate
Para marcar a data, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) preparou uma programação especial com o tema "Entre a inteligência artificial e a inteligência emocional: o futuro da Pediatria".
Entre os dias 27 e 29 de julho, serão realizadas três lives sobre temas que fazem parte dos novos desafios da especialidade, como o uso da inteligência artificial na prática pediátrica, a comunicação responsável nas redes sociais e a prevenção do burnout entre os profissionais.
As transmissões poderão ser acompanhadas pelo YouTube, Facebook e pelo portal da SBP. Além disso, a entidade publicará vídeos sobre temas como adolescência, Prova de Títulos, Primeiros Socorros na Escola, defesa da Pediatria, sustentabilidade e valorização da mulher pediatra.
No dia 12 de setembro, tivemos o prazer de participar do programa Mulher.com, da Rede Século 21.
Nossas voluntárias Ana Beatriz, Ieda e Andrea, que dedicam seu tempo no Hospital Boldrini, estiveram lá para uma conversa leve e descontraída com a apresentadora Rita Maria.
O bate-papo foi uma ótima oportunidade para falar sobre o Dia Nacional da Recreação e compartilhar um pouco sobre como o universo lúdico pode entrar nos hospitais, favorecendo a saúde. Contar histórias é uma forma de brincar, de usar a imaginação para desviar a atenção dos pacientes, mesmo que por uns minutinhos, da rotina hospitalar. Quando a gente ouve uma história, a gente viaja, a gente se emociona, se alegra, e mesmo numa situação difícil, afinal, ninguém gosta de estar em hospital por enfrentando alguma questão de saúde, é possível viver momentos de alívio, de paz, sorrisos e descontração que, no fim das contas, também são importantes para nossa saúde.
Se você não conseguiu acompanhar a participação, não se preocupe!
Ela está disponível no YouTube. Não perca a chance de conferir! Olha só!
Este ano, a Associação Griots – Os Contadores de Histórias celebrou o Dia Nacional do Voluntariado, em 28 de agosto, com um marco importante: a primeira formatura de novos integrantes em cinco anos. Depois de uma etapa de treinamento, trinta novos membros se juntaram à equipe, sinalizando um momento de renovação e expansão para a organização.
A Associação Griots - Os Contadores de História é uma instituição sem fins lucrativos que surgiu em Campinas no ano de 2003. As primeiras atividades foram no setor de pediatria do Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas–SP, e ao longo dos anos, o trabalho, que é todo feito de forma voluntária, foi se estendendo para vários hospitais da cidade e da região.
Vestidos com jalecos amarelos, e equipados com livros, fantoches, sorrisos e imaginação, os voluntários visitam os leitos dos hospitais, interagindo com os pacientes através da contação de histórias leves, alegres e motivadoras. Desta forma, a atuação da Associação favorece a humanização do ambiente hospitalar, contribuindo positivamente para o bem-estar dos pacientes, seus familiares e a equipe de profissionais envolvidos no tratamento.
Em 2020, em razão da pandemia, as visitas hospitalares foram interrompidas, e os contadores adaptaram suas atividades para o ambiente digital, usando vídeos, lives, podcasts e redes sociais. Até hoje os canais no YouTube e Spotify da Associação Griots oferecem um acervo amplo de vídeos e áudios de histórias narradas pelos voluntários.
Em 2022, as visitas presenciais puderam ser retomadas, com autorização dos hospitais e de forma bem gradual, começando com atividades individuais e pequenos grupos. O último processo seletivo para novos integrantes tinha acontecido em 2019.
Em 2024, o treinamento teve início em julho e incluiu o diálogo com profissionais da saúde, da Enfermagem e da Psicologia, e orientações sobre contação de histórias com membros mais antigos da organização. Depois dessa etapa, cada novo voluntário passou por um período de ‘estágio’, realizando visitas hospitalares acompanhando um voluntário mais experiente.
No dia 24 de agosto aconteceu a ‘formatura’, um evento de confraternização em que os novos Griots são presenteados com seus aventais amarelos e crachás de identificação. É um dia de festa e emoção. Para Simone Turati, a Tia Sica dos Griots, a data foi ainda mais especial. Atuando desde 2018 como contadora de histórias, com visitas no Hospital Boldrini, ela foi madrinha do próprio filho, o Caio. “É uma grande alegria ver meu filho seguir os caminhos do voluntariado, tornar-se um de nós, um ‘anjo amarelinho’, um Griot. Nosso trabalho é sobre amor ao próximo, cuidado e respeito, doando um pouco de nós e do nosso tempo para proporcionar alegria e conforto aos outros”, celebra ela.
SAIBA MAIS - O que quer dizer ‘Griots’
Os Griots eram contadores de histórias africanos, que, viajando de aldeia em aldeia, tiveram um importante papel na evolução e manutenção da cultura e tradição de todo o continente, justamente por meio de sua palavra, pois sua existência precede a escrita. Contar histórias, portanto, é uma prática milenar, que sempre acompanhou a humanidade, e que traz consigo muitos outros benefícios já reconhecidos.
Com relação aos ganhos emocionais, a arte da contação de histórias ajuda a reviver, compreender e elaborar melhor nossas próprias vivências e sentimentos. Somando a ela a prática da leitura, os voluntários da Associação Griots buscam levar aos pacientes um pouco de conforto, descontração e alegria, gerando alívio, sensação de acolhimento e, principalmente, despertando a esperança através do universo lúdico dos livros.
Ao longo dos anos foram formados pela Associação centenas de voluntários e o trabalho se estendeu para vários hospitais e casas de idosos, de várias cidades. Atualmente, os contadores passam por Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Itapira, Sumaré e Paulínia.
A Associação Griots – Os Contadores de Histórias conta com patrocínio da CPFL Energia e Unimed Campinas, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Proac-ICMS – Programa de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo.
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