Dia Nacional da Língua Portuguesa: nunca nos comunicamos tanto, mas será que estamos falando menos?

Pense na última vez que você ligou para alguém apenas para saber como a pessoa
estava, sem um assunto urgente, sem precisar resolver um problema ou combinar
alguma coisa. Simplesmente ligou para conversar. Talvez seja preciso fazer um esforço
para se lembrar. Hoje, boa parte dessas pequenas interações acontece por mensagens.
Perguntamos se está tudo bem, contamos uma novidade, combinamos um encontro e até
resolvemos questões de trabalho sem precisar ouvir a voz de quem está do outro lado.

É curioso pensar nisso numa época em que estamos praticamente o tempo todo
conectados. Temos aplicativos para conversar, chamadas de vídeo, redes sociais e
diferentes maneiras de manter contato. Nunca foi tão fácil encontrar alguém, mesmo
que esteja a milhares de quilômetros de distância. Ainda assim, parece que as conversas
faladas estão perdendo espaço na rotina.

Um estudo publicado em 2026 na revista científica Perspectives on Psychological
Science encontrou números que ajudam a entender essa mudança. A análise reuniu
dados de 22 pesquisas, com 2.197 participantes, e identificou uma redução média
estimada de 338 palavras faladas por dia a cada ano, entre 2005 e 2019. Ao longo desse
período, a queda chegou a aproximadamente 28%. Entre os participantes com menos de
25 anos, a diminuição estimada foi ainda maior.

Antes de tirar conclusões, vale uma ressalva: os pesquisadores analisaram a quantidade
de palavras pronunciadas, não todas as formas de comunicação. Mensagens de texto, e-
mails e outras interações digitais ficaram de fora. O estudo também não identificou uma
causa específica para a redução. Isso significa que não podemos afirmar que estamos
nos comunicando menos, mas há indícios de que estamos falando de outra maneira.

E é justamente aí que entra uma reflexão interessante para o dia 5 de novembro, quando
celebramos o Dia Nacional da Língua Portuguesa. Instituída pela Lei nº 11.310, de 12
de junho de 2006, a data homenageia o idioma e sua importância para a cultura e a
identidade brasileiras. A escolha do dia também faz referência ao nascimento de Rui
Barbosa, em 1849.

Nossa linda língua portuguesa não vive apenas nos livros de gramática, nas salas de aula
ou nos discursos de grandes escritores. Ela está na conversa de quem se encontra na
calçada, na história que os avós contam aos netos, na música que aprendemos a cantar
sem perceber e nas expressões que passam de uma geração para outra. Está também nos
sotaques, nas gírias, nos versos das batalhas de rima e nas histórias que chegam ao
cinema…Na contação de histórias!!!!

A tecnologia faz parte da nossa vida e abriu possibilidades importantes de comunicação.
Mas ouvir uma história, uma palavra amiga, uma gentileza… Isso não tem preço, não é
mesmo?