Hoje a conversa é sobre um hábito antigo que continua se reinventando sem fazer barulho: a leitura. E, curiosamente, quem está puxando esse movimento não são só os leitores habituais, mas uma geração mais jovem, que cresceu com o celular na mão e mesmo assim anda voltando os olhos para os livros.
No Brasil, o número de compradores de livros cresceu no último ano. Foram cerca de 3 milhões de novos leitores, segundo a Câmara Brasileira do Livro. O recorte mais expressivo está entre 18 e 34 anos, um público que vive entre notificações, vídeos curtos e, ainda assim, encontra espaço para abrir um livro.
E isso não acontece longe da internet, mas dentro dela. O chamado BookTok, os perfis literários no Instagram e os vídeos de recomendações transformaram livros em conteúdo de rede social. Um título pode ganhar vida nova porque alguém gravou uma reação, fez uma resenha rápida ou colocou a obra numa lista temática. A leitura deixou de ser apenas silenciosa e passou também a circular como tendência.
Os dados ajudam a entender esse cenário. A biblioteca digital MEC Livros registrou mais de 122 mil empréstimos gratuitos em apenas uma semana, segundo o Ministério da Educação. O número impressiona não só pelo volume, mas pelo comportamento que revela. As pessoas não apenas acessam os livros, mas também comentam, compartilham e indicam nas redes.
Ao mesmo tempo, o livro físico não perdeu espaço. As livrarias seguem com um papel quase afetivo. Muitas pessoas ainda preferem entrar em uma loja, olhar as capas, folhear sem pressa e descobrir algo que não estavam procurando. É um tipo de experiência que vai além da compra.
Isso aparece nas pesquisas. Cerca de 80% das últimas aquisições foram de livros impressos. Ainda assim, quase metade dos leitores prefere comprar online, principalmente por preço e praticidade. O comportamento é híbrido, dividido entre o digital e o físico.
Outro ponto importante é a forma como os livros são descobertos. Mais da metade dos consumidores diz ser influenciada pelas redes sociais. WhatsApp e Instagram aparecem como os principais canais, muitas vezes com recomendações informais que acabam tendo grande peso na decisão de compra.
O Panorama do Consumo de Livros 2025 reforça esse retrato. O país tem mais leitores, com crescimento entre jovens adultos e forte presença feminina no consumo. Também mostra uma participação relevante de mulheres pretas e pardas, que representam um dos grupos mais expressivos do mercado.
No fim das contas, não se trata de uma substituição de hábitos, mas de convivência entre eles. O livro continua sendo o mesmo objeto, mas o caminho até ele mudou. Pode vir por um vídeo curto, por uma indicação no celular, por um grupo de amigos ou por uma visita sem pressa a uma livraria.
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