Você sabe onde fica a biblioteca que guarda a memória do Brasil?

Você sabe onde fica a biblioteca que guarda boa parte da memória do Brasil? Talvez a resposta não seja tão óbvia. Ela está no centro do Rio de Janeiro, em um daqueles prédios históricos diante dos quais muita gente passa todos os dias sem imaginar a quantidade de histórias que estão guardadas lá dentro.

A história começa há mais de dois séculos. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Brasil, trouxe também a Real Biblioteca. Não era uma coleção qualquer. Parte daqueles livros havia sido reunida em Portugal depois do terremoto de Lisboa de 1755, seguido por um incêndio que destruiu a antiga Livraria Real. O acervo atravessou o Atlântico e acabou encontrando no Rio de Janeiro um novo capítulo de sua história.

Em 29 de outubro de 1810, um decreto marcou oficialmente a criação da Biblioteca. No começo, ela funcionava nas dependências da Ordem Terceira do Carmo e não era exatamente um lugar onde qualquer pessoa pudesse simplesmente entrar. O acesso era restrito a estudiosos autorizados. Quatro anos depois, em 1814, isso mudou: a biblioteca foi aberta ao público.

O tempo passou, a coleção cresceu e os espaços ficaram pequenos. Depois de ocupar diferentes endereços, a instituição ganhou a sede que conhecemos hoje, na Avenida Rio Branco. O prédio começou a ser construído em 1905 e foi inaugurado em 1910. E aqui há um detalhe que ajuda a imaginar o tamanho daquela mudança: entre 1909 e 1910, cerca de 400 mil obras precisaram ser transportadas para o novo endereço.

Hoje, a Fundação Biblioteca Nacional guarda aproximadamente 10 milhões de itens. E não pense apenas em estantes cheias de livros. Há jornais, revistas, manuscritos, mapas, fotografias, gravuras, desenhos, partituras, discos e outros registros sonoros. É como se diferentes pedaços da história brasileira tivessem sido reunidos no mesmo lugar.

E tem mais: parte dessa história cabe na tela do seu computador. A Biblioteca Nacional Digital permite consultar documentos digitalizados, enquanto a Hemeroteca Digital Brasileira reúne jornais e revistas de diferentes épocas. Dá para procurar uma publicação antiga e descobrir como determinado acontecimento foi contado quando ainda estava acontecendo. É quase uma viagem no tempo feita sem sair de casa.

A Biblioteca também continua recebendo aquilo que o Brasil produz hoje. Por meio do Depósito Legal, publicações são encaminhadas à instituição, conforme determina a legislação, ajudando a formar e atualizar a Coleção Memória Nacional.

Em 1990, a Biblioteca passou a constituir a Fundação Biblioteca Nacional, atualmente vinculada ao Ministério da Cultura. Mais de 200 anos depois de sua criação, sua tarefa continua sendo preservar para o futuro aquilo que o país produziu no passado e continua produzindo no presente.

Talvez seja por isso que o 29 de outubro tenha uma história tão bonita. É o Dia Nacional do Livro e também a data de criação da Biblioteca Nacional. No fim, as duas coisas estão mais ligadas do que parecem.

Porque um livro não termina quando alguém fecha suas páginas. Ele pode virar memória, documento, pesquisa, descoberta. Pode atravessar gerações. E, em algum lugar do centro do Rio de Janeiro, existe uma biblioteca inteira dedicada a garantir que essas histórias não desapareçam.

A próxima vez que você ouvir falar da Biblioteca Nacional, talvez consiga imaginar um pouco melhor o que existe por trás daquela fachada. São milhões de histórias esperando para serem abertas.

Quer saber mais? No site da Biblioteca, dá para fazer um tour virtual: https://www.gov.br/bn/pt-br

Foto da Biblioteca Nacional. Créditos: Donatas Dabravolskas

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